Toyota Bandeirante, um ícone também entre os veículos militares

 

 

 

Xingu foi a denominação conferida pelo Exército Brasileiro aos jipes Toyota Bandeirante, modificados pela empresa Bernardini. Vamos conferir agora uma unidade recém restaurada pela Oficina Meliani QT

Por James Garcia Fotos James Garcia e Angelo Meliani

 

 

 

 

Difícil de acreditar que essa Toyota Bandeirante chegou na Oficina Meliane QT – especializada em veículos militares antigos – em péssimo estado, ou como disse Angelo Meliani, “só o caramelo”.

 

“Só o caramelo”, eis o estado da Toyota quando chegou na oficina

 

O carro estava montado, mas “bem meia bomba”, necessitando de muitos cuidados, ajustes e, sendo bem objetivo, necessitava mesmo de uma completa restauração.

 

O jipe sendo inteiramente desmontado

 

Assim que chegou a sua vez na fila de espera, essa Toyota Bandeirante, que foi enviada por um cliente do Paraná até São Paulo, foi inteiramente desmontada, teve toda a pintura e acabamentos retirados, via jato de areia, e os componentes mecânicos, tais como  câmbio de 4 marchas, caixa de transferência, diferenciais, coroa e pinhão, eixos e munhões, foram abertos e inteiramente revisados.

 

Um trato nos diferenciais…

 

 

Engrenagens de coroa e pinhão, tudo novo, de novo…

 

 

 

 

O motor Mercedes Benz MB 608 recebeu uma retífica completa e o chassi foi totalmente jateado.

 

O chassi, depois do trato

 

A suspensão recebeu um conjunto novo de feixes de molas, com arqueamento maior, o que facilitou a inclusão dos grandes pneus militares medidas 900 x 16, da marca Petlas, importados da Turquia. Os feixes traseiros tiveram as molas de carga retiradas, para evitar o efeito “pula- pula” do jipe, principalmente por ele rodar quase sempre vazio.

 

Feixes de molas novos. Na traseira, os contra-feixes foram retirados

 

Meliani comentou algo curioso sobre o universo Toyota: “É simplesmente muito difícil encontrar peças para esses carros, ou você mantém o que tem em mãos ou, em muitos casos, terá de construir as peças”, informou.

 

 

 

E assim foi feito, como os suportes do para brisa, que é basculante e recortado, pois essa unidade é um veículo canhoneiro. Outras peças, como o suporte e a grade dianteira, também tiveram de ser reconstruídas.

 

 

Meliani e sua equipe – Rogério Costa Pereira e Renato Luiz Sousa – usaram livros, fotos e material de pesquisa como base para construir peças iguais e, em muitos casos, melhores até que as originais.

 

Renato, Rogério, a “caveirinha” e Angelo, os culpados de tudo

 

Alguns componentes originais, como o sistema de direção, foram até aprimorados. “Para oferecer mais conforto ao dirigir, usamos um rolamento de agulhas no sistema de direção, algo não previsto no projeto original do carro”, comentou Meliani.

 

 

 

Essa belíssima tonalidade de verde, que Meliani diz ser um segredo da casa, foi desenvolvida na oficina. “É um verde que lembra a cor usada nos jipes Humvee norteamericanos”, informou. A pintura de acabamento espartano e fosco, gera um efeito singular no visual forte desse jipe.

 

 

O veículo recebeu ainda melhorias e transformações, como a adição de um poderoso guincho mecânico, um novo sistema de suporte do estepe (lembrando do novo diâmetro dos pneus), novo sistema de limpador de para brisas (mantendo o conjunto manual para o passageiro) e um chicote elétrico inteiramente novo, feito à mão por Rogério. Um trabalho e tanto!

 

 

Um trabalho, que vale lembrar, teve muito da mão e inspiração do sr. Aldo Meliani, mestre maior na arte da restauração de viaturas militares. “De alguma forma ele esteve e sempre estará conosco”, lembrou com saudade e bom humor, Angelo.

 

 

E depois de quase três anos (o trabalho não foi feito de modo ininterrupto, houveram hiatos no processo), o novo e maravilhoso Toyota Xingu 1988 (versão 2017!) finalmente foi colocado sobre um caminhão plataforma e enviado ao seu proprietário, no Paraná.

 

 

Será que ele vai ficar contente?